Cultuando Federico Garcia Lorca (4)

8 dUTC Abril dUTC 2010

Quando Um cão andaluz de Buñuel e Dali estreou em Paris em 1929 Lorca encontrava-se em Nova York. Aliás, nada mais absurdamente surrealista que Lorca em NY. Wall Street não resistiu …

Diz-se que o título do filme seria uma provocação da dupla ao poeta com quem teriam tido um desentendimento. Conta-nos Cláudio Willer na Revista Agulha:

“Cabe lembrar que a intenção de Buñuel e Dali, ao escolherem esse título, foi insultar García Lorca, com quem haviam rompido. A resposta de Lorca à ruptura com Dali foi o auto-exílio, e a conseqüente criação do Poeta em Nova York, sua obra mais frenética e dilacerada (não estou especulando, porém baseando-me na sólida biografia de Lorca por Ian Gibson).”

Diz-se também que Viaje a La luna, o roteiro escrito por Lorca em sua temporada novaiorquina teria sido uma resposta a esse fato.

Alice Gomes no site Estação Virtual:

” Após uma conversa com o cineasta e pintor mexicano Emilio Amero, em que falaram da estréia de Um Cão Andaluz, Lorca escreveu o roteiro deViaje a La Luna em poucos dias. Um manuscrito de 14 páginas divido em 72 cenas”.
O filme acabou não sendo realizado e o roteiro, engavetado ao longo de anos, reapareceu recentemente e foi filmado pelo cenógrafo e cineasta catalão Federico Amat .

No vídeo abaixo, dois trechos dele pescados no you tube. De quebra, o Chien Andalou completo com um texto escrito por Salvador Dali.

Neste texto transcrito da revista Recine (dezembro de 2006) Dali escreve sobre seu filme. Suspeito que o último parágrafo seja de Buñuel.

UM CÃO ANDALUZ
Salvador Dali

Nosso filme, realizado à margem de qualquer intenção estética, nada tem a ver com nenhum daqueles ensaios chamados de cinema puro. Ao contrário, a única coisa importante no filme é o que nele se passa.
Trata-se da simples notação, da constatação de fatos. O que cava um abismo de diferença com outros filmes é que tais fatos, em lugar de serem convencionais, fabricados, arbitrários e gratuitos, são fatos reais, que são irritantes, incoerentes, sem explicação nenhuma. Somente a imbecilidade e a cretinice inerente à maioria dos homens de letras e de épocas particularmente utilitaristas tornam possível a crença de que os fatos reais eram dotados de uma significação clara, um sentido normal, coerente e adequado. Daí a supressão oficial do mistério, o reconhecimento da lógica nos atos humanos etc.

Os escritores, sobretudo, e os novelistas em particular, têm contribuído para a fabricação de um mundo convencional e arbitrário que eles impõem como real.Este mundo onde tudo é explicado porque nos é ensinado, está hoje totalmente esmagado pelas pesquisas da psicologia moderna. Tudo nele é voluntariamente escravo e podridão mas ainda serve maravilhosamente para apascentar os porcos e as pessoas de bons sentimentos. No entanto, ao lado da realidade confeccionada na medida da imbecilidade e das seguranças necessárias, há os fatos, os simples fatos independentes das convenções; há os crimes hediondos; há os atos de violência inqualificáveis e irracionais que iluminam periodicamente com seu brilho reconfortante e exemplar o desolador panorama moral. Há o tamanduá, há simplesmente o urso das florestas, há etc.

O tamanduá atinge dimensões superiores às do cavalo; possui uma ferocidade enorme; tem uma força muscular excepcional; é um animal terrível e, no entanto nutre-se apenas de formigas servindo-se de uma língua de meio metro de comprimento e fina como um fio.

O urso das florestas, pavor dos habitantes dos bosques, se nutre de mel. Procedendo assim, porco a pouco, a ciência poderá analisar a anatomia e a fisiologia do tamanduá. A psicanálise poderá demonstrar os mais sutis mecanismos psíquicos e estudar novamente os fatos humanos. Mas, apesar disso, nem os fatos, nem a língua do tamanduá se tornarão menos enigmáticos ou irracionais.

Se tomei exemplos simples de história natural, isto não foi por acaso, visto que, com o disse Max Ernst, a história do sonho, do milagre, a história surreal é de fato e essencialmente uma história natural.

Nota: Um cão andaluz teve um sucesso sem precedentes em Paris; o que nos causa indignação como em qualquer outro sucesso de público. Mas acreditamos que o público que aplaudiu Um cão andaluz é um público embrutecido pelas revistas e a “divulgação” da vanguarda, que aplaude por esnobismo tudo aquilo que lhe parece novo ou bizarro. Esse público não compreende o fundamento moral do filme, que é dirigido diretamente contra ele com uma violência e uma crueldade totais. O único sucesso que conta para nós é o discurso de Eisenstein no congresso de La Sarraz e o contrato do filme com a República dos Sovietes.

Mirador, nº 39, 29 de outubro de 1929.

CULTUANDO FEDERICO GARCIA LORCA (3)

6 dUTC Abril dUTC 2010


VACA

Espichou-se a vaca ferida;
árvores e arroios trepavam por seus chifres.
Seu focinho sangrava no céu

Seu focinho de abelhas
sob o bigode lento de babas.
Um alarido branco pôs de pé a manhã.

As vacas mortas e as vivas,
rubor de luz ou mel de estábulo
baliam de olhos semicerados.

Que fiquem sabendo as raízes
e aquele menino que amola sua navalha
que podem comer a vaca.

Lá em cima empalidecem
luzes e veias jugulares.
quatro patas tremem no ar.

Que fique sabendo a lua
e essas noite de rochas amarelas:
que já se foi a vaca de cinza.

Que já se foi balindo
pelo entulho dos céus ásperos
onde merendam morte os ébrios.


Tradução de Oscar Mendes

CULTUANDO FEDERICO GARCIA LORCA (2)

5 dUTC Abril dUTC 2010

Impressionou-me outro dia a leitura do texto do curador de uma exposição que, decodificando as obras expostas, explicava-nos que tratava-se de ” investigar as aparentemente esgotadas possibilidades expressivas da linha”. A linha em questão seria “não narrativa”, (como soem ser alguns dos meus esgotados contemporâneos) na qual o curador apontava alguns “ruídos desagregadores”o que, suponho, seria um elogio. Na imagem que acompanhava o texto só identifiquei, na minha surdez cega e ignorante, uma rabisqueira sem sentido…
Imerso que ando em Lorca, socorreram-me alguns de seus desenhos com sua linha falante e melodiosa . Encantatória como seus versos. Embarquei ou, melhor dizendo, peguei uma carona nessa trilha e ainda ganhei essas palavras de outro grande poeta, o Marco Lucchesi :

Hélio Jesuíno é a um tempo
engenheiro e poeta do sonho
de uma alteridade em flor,
aberta, solar e misteriosa.

Abaixo , os desenhos originais de Lorca e as minhas intervenções.





Endossando a bronca do Alexei

30 dUTC Março dUTC 2010

AS ABERRAÇÕES DO “DIREITO DE IMAGEM”

O recente episódio do processo intentado contra a Editora Aprazível, em seu livro sobre o fotógrafo José Medeiros, em que representantes legais dos herdeiros de Manuel Bandeira, em verdadeira aberração postulatória, reivindicaram – e ganharam em primeira instância – o direito a retirar de circulação um livro imenso, no meio do qual há uma foto do poeta, em meio a outras pessoas, e ainda receberem indenização, é um marco do ponto a que chegou a aberração do infame conceito de “direito de imagem”, que transforma grandes figuras da nacionalidade, homens de imagem pública e notória, que como homens públicos voluntariamente viveram, em algo como marcas de roupas e refrigerantes.

Antes disso outra aberração, talvez ainda maior, foi intentada contra os proprietários do belo curta metragem “O poeta do Castelo”, realizado por Joaquim Pedro de Andrade e produzido por Fernando Sabino. Sem sequer entrar no mérito de que Manuel Bandeira nem viúva deixou, nem filhos teve, é bom lembrar que Joaquim Pedro era filho de seu maior amigo, Rodrigo Melo Franco de Andrade. Quando o poeta acedeu ao desejo do jovem cineasta de ser retratado em seu curta, ele obviamente doou a sua imagem, a sua participação, ao cineasta. Reivindicar “direito de imagem” sobre esse curta-metragem, mais de quatro décadas depois, é mais ou menos como se algum sobrinho do saudoso Maurício do Valle processasse os herdeiros de Glauber Rocha por sua participação nos quatro filmes do genial cineasta em que ele atuou. Há um princípio jurídico de grande importância, o da razoabilidade, que está sendo atropelado por todas essas aberrações. E mais: um sinal óbvio de civilização são os limites à propriedade, em nome do bem comum, inclusive o bem cultural. Maior exemplo não existe do que o tombamento. Se Ouro Preto não tivesse sido declarada Monumento Nacional nos anos de 1930, todas as suas casas seriam hoje cubos de concreto, com janelas basculantes de vidro blindex! Se há limites de propriedade para os bens físicos, por que não os haveria para bens imateriais, como as obras literárias, às vezes de muito maior importância?

O chamado “direito de imagem” representa a própria morte da cultura. Como, numa foto coletiva, às vezes com dezenas de pessoas, não se expor, ao publicá-la, à ânsia argentária de algum sobrinho-bisneto de um grande homem? Uma jurisprudência sórdida está sendo criada. E o pior, enquanto o direito à obra literária chega a 70 anos após a morte do autor, esse conceito vago de “direito de imagem” – que não significa nada e pode por isso mesmo significar tudo – não tem prazo de validade! O autor destas linhas, por exemplo, é 11º neto do célebre Anhanguera. Juridicamente, quem sabe, poderia processar algum livro didático que reproduzisse um retrato supositício de seu antepassado, morto há mais de três séculos! Como poderão trabalhar dessa maneira os críticos, os iconógrafos, os antologistas, os documentaristas?

E para escárnio maior, os responsáveis por tais processos dizem querer proteger Manuel Bandeira dos “aproveitadores”, que devem ser, provavelmente, os falecidos Joaquim Pedro de Andrade, José Medeiros e Fernando Sabino, ou os excelentes editores do livro sobre José Medeiros. Até onde vai tudo isso? Se para bens físicos pode haver o tombamento ou a desapropriação, nada se pode fazer em relação a imagens públicas de homens públicos? Pode a cultura de algum país civilizado ser entregue à chicana dos rábulas, descumprindo de forma evidente o que seria a vontade dos autores, se vivos fossem? Onde fica a razoabilidade? Onde fica a cultura brasileira em tudo isso? Entregue aos rapaces ou às mediocridades ávidas de exercer poder? Que este texto sirva como um manifesto, a conclamar todos os que trabalham com e pela cultura no Brasil.

Alexei Bueno

30-3-2010

COPACABANA

28 dUTC Março dUTC 2010

Nasci e fui criado no bairro. Hoje, morador do Catete, mantenho ainda o atelier em Copacabana, freqüento suas praias, bebo em seus bares, misturo-me à babel de tipos que lá habitam, trampam, trabalham, namoram; gente das mais diversas procedências, credos e matizes, miscigenando vícios sagrados e podres virtudes.
Um universo humano dessa riqueza e complexidade atraiu, como não poderia deixar de ser, os olhares de um sem número de escritores, artistas, cineastas. O material é farto e diversificado como sua fonte de origem.
Inicialmente pensei em várias postagens em seqüência como no bestiário. Mas repensei o formato e, aproveitando-me da agilidade oferecida pelo blog, optei por uma postagem única que irei reeditando e engrossando conforme novos textos forem surgindo.
Ando garimpando no caos de minhas estantes contos e poemas que abordem o tema; achei alguns, continuo na cata de outros. Dei uma tarrafada na net e outros peixes vieram na rede. Aceito lembranças e sugestões.
Para as ilustrações criei um painel misturando a zorra toda e inseri –via photoshop – algumas imagens da série “Pedra do Cantagalo” , já postada no blog (veja aqui)
Fragmentos de textos e imagens formam um mosaico dessa terra de todos e de ninguém, feita de maresia e gás carbônico, sal, areia, asfalto e cimento.
Seu dinamismo e amplitude, ai de nós, estarão sempre muito além de nossa capacidade de apreendê-la em sua demasiada humanidade, exposta entre mares e montanhas, dias sombrios, noites iluminadas.

FIM DE TARDE / Celso Japiassu

Talvez tenham escolhido um bar tão movimentado como o Real Chopp, em plena Barata Ribeiro, para não tornar a conversa íntima demais. Ele falava, ela escutava e por sua vez rebatia algo que ele acabara de dizer; um detalhe da sua fala, algum argumento mal usado, um sentimento obscuro.

O fim da tarde, nas ruas internas de Copacabana, é marcado pelo barulho dos motores nos engarrafamentos da hora do rush. Talvez por isso, de vez em quando, um dos dois falava mais alto olhando diretamente para o rosto do outro. Depois ela baixava a cabeça e ele olhava para os lados sem saber o que procurava. Ficavam assim por um momento e depois retomavam a discussão.

Ela picava em pequenos pedaços o guardanapo de papel, ele mantinha as mãos nos bolsos. Havia tirado o paletó e a gravata e arregaçado as mangas da camisa para enfrentar o calor. Ela vestia uma saia simples, justa, com um paletó feminino, de acordo com a moda adotada pelas mulheres que exercem cargos executivos. Os dois copos de chope estavam quentes e sem espuma.

Em seguida ele pegou seu paletó e se levantou, deixou um dinheiro em cima da mesa junto com a conta que havia pedido ao garçon e foi embora pela Rua Paula Freitas na direção da praia. Ela ficou durante alguns momentos olhando os automóveis parados no engarrafamento. Então levantou-se, atravessou a rua e pegou um ônibus na direção do Jardim de Alah. O calor batia os 40 graus.


COPACABANA / Vinicius de Moraes

Esta é Copacabana — ampla laguna
Curva e horizonte, arco de amor vibrando
Suas flechas de luz contra o infinito.
Aqui meus olhos desnudaram estrelas
Aqui meus braços discursaram a lua
Desabrochavam feras dos meus passos
Nas florestas de dor que percorriam.
Copacabana, praia de memórias!
Quantos êxtases, quantas madrugadas
Em teu colo marítimo! Esta é a areia
Que tanto enlameei com minhas lágrimas.
Aquele é o bar maldito. Não estás vendo
Aquele escuro ali? É um obelisco
De treva: cone erguido pela noite
Para marcar por toda a eternidade
O lugar onde o poeta foi perjuro.
Ali tombei, ali beijei-te ansiado
Como se a vida fosse terminar
Naquele louco embate. Ali cantei
À lua branca, cheio de bebida
Ali menti, ali me ciliciei
Para gozo da aurora pervertida.
(…)

Ô, COPACABANA / João Antonio
“[…] esta hora cinza, chumbo carregado, hora parada, neutra, a que os boêmios, os pederastas, os artistas da noite, as mulheres e seus cáftens, as curriolas da galeria chamam de rabo da manhã.

Sete da noite, quando Copacabana troca de mão, num golpe, na muda da turma de garçãos, barbeiros, balconistas, motoristas de táxi, botequineiros, e o resto dos serviçais, a luz elétrica acende o olho diferente, vesgo da noite na galeria.
A moçada sai da Zona Norte ou dos subúrbios lá longe, toma suas luzes como modelo de vanguarda no Rio. No bairro se sabe vestir bem, comer bem, beber o melhor. E os meninos, cabeça cheia, começam a descer dos ônibus xexelentos, vindos do outro lado da cidade, o bravo e esquecido, onde moram três quartos das gentes do Rio de Janeiro. Sem praia e sem recreio. A meninada principia na galeria Alaska, certa de que com o físico, juventude, gingas, bossa, conseguirá o melhor em mulheres, boates, facilitações e exuberância.”

A VIÚVA NA PRAIA / Rubem Braga

A morte do homem foi comentada no café; eu soube, assim, que ele passara muitos meses doente, sofrera muito, morrera muito magro e sem cor. Eu não dera por sua falta, nem soubera de sua doença.
(…)
E agora estou deitado na areia, vendo a sua viúva. Deve uma viúva vir à praia? Nossa praia não é nenhuma festa; tem pouca gente; além disso, vamos supor que ela precise trazer o menino, pois nunca a vi sozinha na praia. E seu maiô é preto. Não que o tenha comprado por luto; já era preto. E ela tem, como sempre, um ar decente; não olha para ninguém, a não ser para o menino, que deve ter uns dois anos.(…)

LUAR SOBRE COPACABANA / Celso Japiassu

Névoa e gás envolvem a lua,
paredes e muros de Copacabana.
Reflexos imitam a lua, deságuam
nas línguas negras,
são estranhos animais.

Invisível-indivisível, o corpo
anda : corpos velhos sob a lua.
Os velhos passam, não são vistos.
São peixes transparentes contra a água
de outros corpos na rua.

Entre o mar e os edifícios
o areal rompe as ondas,
suja os olhos e a boca,
constrói no ar seu roteiro.
Deixa traços no caminho.

Uma noite sem mistério
ou sonho. Um homem senta-se ao bar,
aspira o hálito do tempo,
bebe ao futuro. As horas,
uma a uma, desperdiçam seus sinais.

O movimento dos vultos,
cães silenciosos, homens apagados
misturados ao trânsito da noite.
O tempo espelha sua lâmina
no refluxo das águas.

O sereno, as sombras e o silêncio
juntam-se nas esquinas das ruas
e avenidas do Leme ao Posto Seis.
Transitam além dos olhos, na alma
que não consegue adormecer.
Há um território do sono
explorado pelo mar e seus ruídos ,
habitação do medo , onde fantasmas
balbuciam sortilégios e os mortos
são aves recolhidas pelo vento .

BESTIÁRIO (11)

7 dUTC Março dUTC 2010

FRAGMENTOS (VI) – GOGOL EM “DIÁRIO DE UM LOUCO”


(…)
“Que modos feios, Medji“ !
Que diabo! Vi que Medji e outro cachorro farejavam-se um ao outro.
“Estarei completamente bêbado?” perguntei a mim mesmo. Então vi a própria Medji pronunciar essas palavras:
“Não Fidel, estás enganado. Au, au! Eu tenho estado muito doente.”
Que cachorra esquisita! Fiquei bastante surpreso, devo confessá-lo, ao ouvi-la exprimir-se em linguagem humana.Mas depois ao refletir direitinho no caso, deixei de estranhá-lo. Com efeito, já se deram no mundo muitos fatos parecidos. Dizem que em Grã-Bretanha um peixe veio a terra e pronunciou duas palavras numa língua tão estranha que os sábios, por muito que a procurem determinar, há três anos, ainda não chegaram a nenhum resultado. Li também nos jornais acerca de duas vacas que entraram em uma loja e pediram pra si duas libras de chá. Mas surpreendi-me outra vez ao ouvir Medji acrescentar:
“Eu te escrevi, Fidel. Provavelmente Polkan não te entregou minha carta. (…)

Aproveitando os cachorros falantes do Gogol, engato este filme da Júlia Martins, “Dógui,o cão da globalização” . Trabalheira do cão foi inserir os desenhos sobre as cenas filmadas … mas valeu a pena tanto pelo resultado final quanto pela convivência com toda a equipe que vai nomeada nos créditos ao final do filme.
Em tempo: a voz do cachorro velho “cantarolando” Lupicínio é do locutor que vos fala.

BESTIÁRIO (10)

6 dUTC Março dUTC 2010

FRAGMENTOS (V) UMBERTO ECO EM “BAUDOLINO”

(…) Em Iambut, onde esperavam repousar após terem atravessado planícies queimadas, as mulheres, embora não fosse belas, não eram muito feias, mas descobriram que, fidelíssimas a seus maridos, guardavam serpentes venenosas na vagina para defender sua castidade – e se ao menos lhe tivessem dito isso antes, mas não, uma fingira entregar-se ao Poeta, que por pouco não teve de se consagrar à castidade perpétua, e sorte a dele que ouviu um sibilo e deu um salto para trás. (…)
tradução de Marco Lucchesi