JAZIEL É UM ESCROTO (2)

22 dUTC Novembro dUTC 2009

Quando postei a história do Jaziel com as psicólogas recebi de amigos outros relatos de canalhices que ele protagonizou. Postarei as publicáveis. Na que se segue a vítima pediu anonimato.


Leblon, anos 70.
Esbarro com Jaziel na Ataulfo de Paiva em frente ao bar Look e ele me convida para um chope.
Dia de semana à tarde, o bar vazio, só nós e os garçons.
Quando pedimos os chopes o garçom mostrou o cardápio: ” Só servimos com refeição”.
A imposição foi aceita e vieram os chopes.
Seguiram-se outros e a cada rodada o Jaziel pedia a descrição minuciosa de cada prato. Atencioso no início, o garçom foi ficando cada vez mais impaciente, e ia dando de má vontade as explicações solicitadas.

Lá pelas tantas veio o ultimato: ou fazíamos o pedido ou ele trazia a conta.
“Já tá escolhido, diz o Jaziel, me traz o cu da mãe com petit-pois”.

O garçom partiu pra cima e o tempo fechou.

Ficamos encurralados num canto. Na mesa ao lado havia uma pilha de cinzeiros de vidro, daqueles pesadões e arestas cortantes.
Jaziel catou uns 3 e atirou contra a turma de garçons. O cerco abriu-se e ele correu porta à fora.

Fiquei sozinho para as porradas e a conta.

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30 dUTC Outubro dUTC 2009

j1

Jaziel é um escroto. Há coisa de uns dois anos atrás, numa nota na coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos, duas psicólogas propunham-se a estabelecer reencontros entre ex-namorados saudosos de sua primeira vez. Ao que parece colhiam material para alguma tese de mestrado ou algo no gênero. Deixaram um endereço para contacto. O canalha enviou-lhes a seguinte mensagem:

Fui um menino frágil e doente. A asma tornou-me recluso e uma violenta acníase devastou-me o rosto. Míope, franzino e extremamente tímido, era natural que não exercesse sobre às meninas nenhum tipo de atração.
A bem da verdade, seus olhares não deixavam margem a dúvidas — eu era mesmo muito feio e a perversidade dos coleguinhas não me deixava esquecê-lo.
Aos 14 anos pôs-me o destino a frente da criatura que, acreditava então, seria o bálsamo para a minha baixa-estima gerada por tanta rejeição.
Ela era filha de uma antiga empregada da fazenda de meus avós onde eu costumava passar as férias. Magrinha, tinha a minha idade e usava tranças. Uma particularidade sua atraiu-me especialmente: era cega.
A salvo de olhares críticos superei os recalques e liberei a libido há tanto tempo reprimida…

Terminadas as férias voltei para o Rio e minha transformação surpreendeu a todos.Espantaram-se com o novo menino, auto-confiante e afirmativo. Até a asma desapareceu.

Antes das férias seguintes meu avô faleceu e minha avó veio morar conosco no Rio trazendo consigo sua empregada de confiança com a filha.
Exultei com o inesperado reencontro e retomamos as relações interrompidas.
A candência urgente e constante do desejo fez com que relaxássemos os cuidados e fomos descobertos.
A corda, como sempre, arrebentou do lado mais fraco e as duas foram postas para fora de casa.

Eu estava verdadeiramente afeiçoado e a brusca e traumática interrupção do nosso relacionamento deixou-me um profundo sentimento de culpa que o tempo só fez aumentar.
Tornei-me casto ao longo dos 15 anos seguintes e só voltei a ter relações com mulheres a partir de meu breve casamento, logo desfeito devido às idiossincrasias conseqüentes daquela primeira relação. Explico-me:

Adquiri uma insuperável aversão a que a parceira me veja durante o ato sexual, o que acaba por limitar-me a praticá-lo somente por trás, ainda que com penetração vaginal. Pela frente só consigo ereção com a parceira de olhos vendados, situação a que minha esposa não quis submeter-se. O divórcio foi inevitável.
Hoje só tenho relações com profissionais que, por força do ofício, aceitam minhas exigências sem maiores pudores ou estranhezas.
Eis aí o triste relato da minha “primeira vez”, transformada numa cruz que carrego pela vida afora, vergastado pela vergonha e a culpa dessas dolorosas lembranças.

Sei onde ela mora hoje e ajudo-a eventualmente com algum dinheiro, enviado sempre pelo correio. Nunca mais estive com ela mas, confesso, gostaria de revê-la. Se ela concordar e for do interesse de vocês disponho-me a fazer contacto .Algo me diz que a exposição pública desta triste história que sempre mantive em absoluto sigilo poderia me ajudar a superar meus problemas.

Cordialmente,

J.J.F.

Segundo Jaziel, não houve retorno das psicólogas.