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28 dUTC Abril dUTC 2010

O título refere-se a um projeto meu e do Flávio Braga. Em textos e desenhos abordamos aspectos de 50 brasileiros que deixaram suas marcas na vida nacional. Não são resumos biográficos e não buscamos no trabalho nenhum rigor histórico. Tanto os nomes escolhidos como o viés dos aspectos focados têm forte carga subjetiva. Destaco ainda que nos propusemos um trabalho “às escuras” — eu desenhava sem o conhecimento dos textos do Flávio o que, acredito, acabou por enriquecer a abordagem.
Abaixo vai o prefácio que escrevi para o livro que acabou não sendo editado e sai agora da escuridão das gavetas dos rejeitados para as luzes da blogosfera.
Tenho comigo todos os desenhos e alguns dos textos. Vou publicando-os enquanto aguardo os do Flávio, extraviados nas catacumbas das editoras por onde peregrinaram.

Obs.: escrevi também uns textos, relativos a santos de minha especial devoção . Estes levam minhas iniciais.

Com pompas e circunstância reúne-se no Vaticano o colégio de cardeais distribuindo com zelosa parcimônia, para este ou aquele mortal, títulos de santidade.
Em tribunais paralelos, à revelia do egrégio foro romano, os povos do mundo inteiro, seguindo seus próprios cânones, elegem e veneram seus mártires e heróis, ícones santificados pela razão e paixão populares que projetam neste panteão seus anseios e frustrações.

Observando cada uma dessas teogonias podemos perceber o perfil do país que a formulou, seu caldo cultural e as condições históricas que a plasmaram.

Neste Santos, Mitos e Mártires dos Brasileiros reunimos alguns desses nomes eleitos pelo senso comum da nação.
Provenientes das mais diversas camadas sociais, alguns deles aqui incluídos são profundamente enraizados nas instituições oficiais, nas quais deixaram suas marcas. Outros, por outro lado, tiveram suas trajetórias marcadas pela exclusão destas mesmas instituições.
Diferenciados em suas origens, nivelam-se todos neste patamar do sagrado, adquirido com o legado de suas vidas onde tragédia e grandeza estão presentes de forma dramática.

Num país como o Brasil, quase todo ainda por ser feito, onde o conceito de caos para uns é o mesmo de ordem para outros, santidade e perversão andam de mãos dadas, às vezes são até dedos da mesma mão que emborca o cálice de cicuta e ambrosia, o traçado agridoce que a nação nos oferece em cada esquina.